top of page

A Flotilha Humanitária para Gaza

  • Foto do escritor: Joana Feliciano
    Joana Feliciano
  • há 1 hora
  • 4 min de leitura

A Flotilha Humanitária para Gaza é uma iniciativa internacional que desafia o bloqueio naval imposto à Faixa de Gaza desde 2007, com o objetivo de criar corredores humanitários e entregar ajuda vital. Esta ação remonta aos esforços pioneiros do Free Gaza Movement em 2006, com embarcações que conseguiram chegar a Gaza, contrariamente ao cerco.

ree
Os navios que partiram para Gaza em março, antes de serem atacados por drones no Mediterrâneo. Créditos: Felton Davis, CC BY 2.0 - Fonte: State Watch
Os navios que partiram para Gaza em março, antes de serem atacados por drones no Mediterrâneo. Créditos: Felton Davis, CC BY 2.0 - Fonte: State Watch

Origens e Percurso


  • 2008–2009: O Free Gaza Movement, um grupo ativista intercontinental, enviou várias embarcações com sucesso inicial, apesar de muitos intentos terem sido bloqueados depois.

  • 2010: A operação mais simbólica até então, quando uma flotilha com o navio Mavi Marmara foi atacada por forças israelitas, resultando em mortes de ativistas e repercussões diplomáticas globais.

  • 2011, 2015, 2016, 2018: Novas flotilhas - incluindo a Freedom Flotilla II, III e a Women’s Boat to Gaza - foram todas obstaculizadas ou interceptadas pelas autoridades israelitas.

  • 2025:


    Greta Thunberg fala à impresa antes da partida do barco Madleen, da Flotilha da Liberdade, que tentou furar o cerco marítimo a Gaza, Palestina. Ao lado, o ativista brasileiro Thiago Ávila e a eurodeputada francesa, de origem palestiniana, Rima Hassan. Créditos/ Fabrizio Villa - Fonte: Abril
    Greta Thunberg fala à impresa antes da partida do barco Madleen, da Flotilha da Liberdade, que tentou furar o cerco marítimo a Gaza, Palestina. Ao lado, o ativista brasileiro Thiago Ávila e a eurodeputada francesa, de origem palestiniana, Rima Hassan. Créditos/ Fabrizio Villa - Fonte: Abril


    • O navio Madleen, rebatizado em homenagem à primeira pescadora de Gaza, partiu de Catânia (Itália) no dia 1 de junho com carga simbólica de alimentos e bens humanitários, com a esperança de chegar à Faixa de Gaza até 7 de junho mas foi interceptado. A bordo estavam 12 ativistas de diversas nacionalidades, incluindo:

    • O Handala, antigo chalutier norueguês integrado na Flotilha da Liberdade, partiu de Siracusa (Itália) a 13 de julho de 2025 com 21 pessoas a bordo - entre ativistas, jornalistas, profissionais de saúde e parlamentares de 12 países - transportando leite para bebés, fraldas, alimentos e medicamentos destinados à população de Gaza.

      Antes mesmo da partida, sofreu duas tentativas de sabotagem: uma corda foi enrolada na hélice e garrafas de água contaminadas com ácido sulfúrico foram entregues à tripulação, ferindo dois membros.


      Após uma escala em Gallipoli, o navio seguiu em direção a Gaza, mas, a 26 de julho, quando navegava em águas internacionais a cerca de 40 milhas náuticas da costa, foi interceptado pelas Forças Armadas israelitas. A operação incluiu o corte de comunicações e o controlo violento da embarcação, que acabou rebocada para Ashdod. A tripulação foi detida temporariamente e posteriormente deportada.


      O episódio desencadeou forte condenação internacional, uma vez que organizações de direitos humanos consideram a interceção uma violação do direito marítimo internacional. A tripulação havia anunciado previamente que faria uma greve de fome em caso de interceção, como forma de protesto simbólico e de solidariedade com a população de Gaza.



A Missão Portuguesa


A deputada Mariana Mortágua, o ativista Miguel Duarte e a atriz Sofia Aparício juntam-se à Flotilha Humanitária que partirá, em meados de setembro de 2025, para a Faixa de Gaza. A iniciativa - descrita como uma "missão sem precedentes" - envolve dezenas de embarcações de mais de 40 países, com o intuito de romper o bloqueio marítimo e entregar ajuda humanitária vital à população palestiniana.


  • Ver vídeo da entrevista à atriz Sofia Aparício aqui


A delegação portuguesa notificou oficialmente o Ministério dos Negócios Estrangeiros, sublinhando o imperativo moral e legal de que o Governo assegure tanto a segurança das pessoas envolvidas quanto o sucesso da entrega de ajuda. Para isso, Mortágua quer aproveitar a sua imunidade diplomática como deputada, enquanto Miguel Duarte apela a uma resposta política onde Portugal corte relações comerciais com Israel e aplique sanções se necessário.


A jornada marítima terá duração estimada de duas semanas, com chegada prevista para meados de setembro. Apesar de conscientes dos riscos - incluindo a possibilidade de serem interceptados como ocorreu com flotilhas anteriores - os participantes mantêm-se firmes na missão: “o mais provável é nem sequer nos ser permitida a chegada a Gaza… mas o que nos motiva não é a garantia de sucesso, mas a absoluta necessidade daquilo que estamos a fazer”, afirma Miguel Duarte.


Impacto e Resultados

Embora nenhuma das flotilhas tenha conseguido romper efetivamente o bloqueio, a sua persistência tem gerado mobilização internacional, visibilidade para a crise humanitária em Gaza e pressão política sobre governos e organismos internacionais. A interrupção das ações, frequentemente através de abordagens determinantes ou ataques, destaca os desafios enfrentados pela solidariedade civil em contextos de conflito.



Sugestões para quem quer mergulhar mais fundo:


  • The Truth: Lost at Sea (documentário, 2017) - Retrata o impacto da flotilha e o contexto humanitário do bloqueio;


  • Cobertura jornalística - links nas fontes abaixo;

  • Relatórios da Freedom Flotilla Coalition - Informação contínua sobre as missões, os seus objetivos e desafios.


A Flotilha Humanitária para Gaza reflete um ativismo não violento persistente e carregado de significado político e moral. Ao longo dos anos, demonstrou-se que não é apenas sobre entregar ajuda - é sobre desafiar estruturas que limitam vidas civis e expor a crise humanitária internacional.

A participação de figuras portuguesas fortalece essa voz de solidariedade que insiste: agir com propósito ainda é possível, mesmo quando enfrentamos bloqueios aparentes.


Fontes:

 
 
 

Comentários


bottom of page